Pancho Guedes (Amâncio d'Alpoim Miranda Guedes), arquiteto, escultor e pintor Português.

Fundou o  Departamento de Arquitetura da Universidade de Witwatersrand em Joanesburgo. É o autor dos murais do Restaurante Zambi.

Do percurso deste arquitecto português educado e formado em África sobressai uma obra excêntrica e idiossincrática que, logo e especialmente nos anos 50, garantiria a Pancho Guedes um lugar cativo na história irregular das excepções ao modernismo arquitectónico mais canónico. Como o provam Simon Sadler ou Timothy Ostler nestas mesmas páginas, a obra de Pancho Guedes é naturalmente referenciável em termos das suas influências, contextos e conexões. Trata-se aqui da redescoberta de atitudes e valores arquitectónicos que a história, com frequência, insiste em esquecer ou obliterar.

Como ele mesmo gosta de dizer, ao longo de 25 anos Pancho Guedes construiu o suficiente para perfazer uma cidade de tamanho médio. Esta actividade efervescente aconteceu em Moçambique - uma localização remota e improvável pelos standards eurocêntricos e ocidentais - entre 1950 e 1975, enquanto o mundo crescia eufórico até à queda anunciada da modernidade económica e cultural como esta era conhecida até então.

Entre Picasso e Freud, entre Lourenço Marques e Londres, Pancho volta à infância da cultura moderna e projecta-a para o futuro com a liberdade de quem lhe conhece o inconsciente e os traumas. A liberdade artística que Pancho Guedes reclama para a sua arquitectura remete-o, de facto, a um tempo anterior ao seu, a um momento em que as orientações da modernidade se encontravam ainda em plena efervescência, e, ao mesmo tempo, projectam-no para um futuro ainda relativamente distante, o momento em que o chamado pós-moderno se limitaria a revelar um regresso às raízes dispersas e recalcadas da modernidade.

Fonte: http://shrapnelcontemporary.wordpress.com/archive-texts-pt/pancho-guedes-ecos-de-uma-modernidade-alternativa/

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